ODE A PRIMAVERA
Nesses dias em que nada funciona
e uma moça simples, quase ingênua, anda remexendo as ancas
De dor, de medo, uma coceira no púbis;
Tesão!
Tentar contornar isso tudo, esses sinais, essas cruzes
é como caminhar tateando na escuridão.
Nessas tardes em que o cansado sol se põe no Arpoador,
uma moça claudica, manca de tesão, da vontade do amor.
O sol cai alaranjado entre pescadores que lançam ao mar os seus anzóis;
ela, a moça, lenta caminha, seguindo em direção ao labirinto dos lençóis
terça-feira, 28 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
O SILÊNCIO
O SILÊNCIO
The silence depressed me. It
wasn´t the silence of silence
It was my own silence*
SYLVIA PLATH in `The Bell Jar.´
Vem, meu menino,
encoste a sua cabeça
no meu peito
e deixe-me te abraçar
e embalar a sua trsiteza.
Eu sei meu menino,
que você ficou triste
que você tem estado triste.
e que a vida não é bem
o que lhe contaram
Mas agora deixe as lágrimas rolarem
rolarem
rolarem...
Agora, meu menino
a noite é jornada escura.
É um silêncio sem ecos,
sem abraços, sem uma nota musical.
Agora a noite é surda e brutal!
Uma imensa noite de silêncio total.
E esse silêncio mora dentro de você, meu menino.
Vem meu menino,
agora você já chorou suas trsitezas e mágoas.
A jornada continua - ela tem que continuar!
Negra é a noite
que diante de seus olhos se exibe.
Uma trilha que não leva nada a lugar nenhum.
Nada nunca leva a nada.
Vem meu menino,
amanhã isso tudo também pode passar.
*Com carinho para N.
___________
* O silêncio me deprimia. Não era o silêncio do silêncio. Era o meu próprio silêncio; tradução livre.
The silence depressed me. It
wasn´t the silence of silence
It was my own silence*
SYLVIA PLATH in `The Bell Jar.´
Vem, meu menino,
encoste a sua cabeça
no meu peito
e deixe-me te abraçar
e embalar a sua trsiteza.
Eu sei meu menino,
que você ficou triste
que você tem estado triste.
e que a vida não é bem
o que lhe contaram
Mas agora deixe as lágrimas rolarem
rolarem
rolarem...
Agora, meu menino
a noite é jornada escura.
É um silêncio sem ecos,
sem abraços, sem uma nota musical.
Agora a noite é surda e brutal!
Uma imensa noite de silêncio total.
E esse silêncio mora dentro de você, meu menino.
Vem meu menino,
agora você já chorou suas trsitezas e mágoas.
A jornada continua - ela tem que continuar!
Negra é a noite
que diante de seus olhos se exibe.
Uma trilha que não leva nada a lugar nenhum.
Nada nunca leva a nada.
Vem meu menino,
amanhã isso tudo também pode passar.
*Com carinho para N.
___________
* O silêncio me deprimia. Não era o silêncio do silêncio. Era o meu próprio silêncio; tradução livre.
sábado, 28 de agosto de 2010
UMA MULHER APAIXONADA
*Este texto eu dedico a todos que não tem emdo de viver uma paixão.
UMA MULHER APAIXONADA
Do you believe in love at first sight?
Yes, I´m certain it happens all the time
What do you see when you turn off the light?
I can´t tell you but I know it´s mine
LENNON & McCARTNEY in With a little help from my friends
Já não sabia mais o que fazer pra chamar a atenção dele!
Eram cartões do Garfield, poemas molhados e respingados de paixão, olhares e olhares, convites diretos e declarados; tudo para mexer com a sua libido! Mas, ele nem sequer me notava...
E, num ato insensato e de loucura, enrosquei-me em seu pescoço e o beijei na boca!
No começo ele reluta – boca cerrada, mas aos poucos relaxa e a língua corre solta de boca em boca. Uma língua molhada e atrevida começa a ser invasiva, abre sulcos no meio dos dentes, alisa o céu da boca em busca de estrelas e cometas errantes.
Não sei bem explicar o que me aconteceu naquele momento. Eu que sempre fui menina pudica, acanhada e retraída fruto de uma rígida educação em colégio de freiras carmelitas; onde, meu Deus, onde, indago-me, arranjei coragem e ímpeto pra dar-lhe tal beijo?
Hoje bem sei que o que me fez dar um beijo assim do nada foi o desejo!
Isso é coisa que acontece quando existe muita adrenalina e tesão tirando racha dentro da corrente sanguínea!
Eu, naquele momento, não podia mais me conter, me refrear, me conter, lutar contra esse tal do desejo. Se eu me segurasse por mais um segundo que fosse, iria ficar louca, insana e rouca de tanto gritar o nome dele!
Aí iria ser uma confusão dos diabos!
Id brigando com o Ego e o Superego; Logos investindo contra o Pathos travando batalhas dignas das descrições que o poeta Homero fez na Ilíada. E eu? Eu ficaria louca!
Era segurar demais a libido, a tensão, a vontade, o desejo – e você sabe, desejo que fica guardado dentro do peito vira fixação!
Agora aqui, sozinha contando essas histórias, talvez você pense que fui mais uma louca, mas eu te pergunto, e você, o que faria no meu lugar?
Levantaria a saia?
Telefonaria mil vezes?
Dançaria nua em plena praça da República?
Iria num terreiro de umbanda e beberia marafo com um Exu qualquer?
Deixaria uma mancha de batom em seu colarinho a guisa de sabotagem?
Tentaria suicídio?
Um pacto eterno com o demo?
Prepararia um jantar com iguarias da cozinha rancesa?
Daria em cima dele numa festa?
Pediria ajuda aos amigos?
Entrava num curso de filosofia?
Ia tentar o equilíbrio através da ioga?
E você que faria? Então, me diga?
Não faria nada? E como conviver com uma paixão não realizada batendo no peito?
Se o que fiz foi certo ou errado, dane-se!
O beijo foi dado. O ato consumado. Foda-se!
Apenas fiz o que faria uma mulher apaixonada.
UMA MULHER APAIXONADA
Do you believe in love at first sight?
Yes, I´m certain it happens all the time
What do you see when you turn off the light?
I can´t tell you but I know it´s mine
LENNON & McCARTNEY in With a little help from my friends
Já não sabia mais o que fazer pra chamar a atenção dele!
Eram cartões do Garfield, poemas molhados e respingados de paixão, olhares e olhares, convites diretos e declarados; tudo para mexer com a sua libido! Mas, ele nem sequer me notava...
E, num ato insensato e de loucura, enrosquei-me em seu pescoço e o beijei na boca!
No começo ele reluta – boca cerrada, mas aos poucos relaxa e a língua corre solta de boca em boca. Uma língua molhada e atrevida começa a ser invasiva, abre sulcos no meio dos dentes, alisa o céu da boca em busca de estrelas e cometas errantes.
Não sei bem explicar o que me aconteceu naquele momento. Eu que sempre fui menina pudica, acanhada e retraída fruto de uma rígida educação em colégio de freiras carmelitas; onde, meu Deus, onde, indago-me, arranjei coragem e ímpeto pra dar-lhe tal beijo?
Hoje bem sei que o que me fez dar um beijo assim do nada foi o desejo!
Isso é coisa que acontece quando existe muita adrenalina e tesão tirando racha dentro da corrente sanguínea!
Eu, naquele momento, não podia mais me conter, me refrear, me conter, lutar contra esse tal do desejo. Se eu me segurasse por mais um segundo que fosse, iria ficar louca, insana e rouca de tanto gritar o nome dele!
Aí iria ser uma confusão dos diabos!
Id brigando com o Ego e o Superego; Logos investindo contra o Pathos travando batalhas dignas das descrições que o poeta Homero fez na Ilíada. E eu? Eu ficaria louca!
Era segurar demais a libido, a tensão, a vontade, o desejo – e você sabe, desejo que fica guardado dentro do peito vira fixação!
Agora aqui, sozinha contando essas histórias, talvez você pense que fui mais uma louca, mas eu te pergunto, e você, o que faria no meu lugar?
Levantaria a saia?
Telefonaria mil vezes?
Dançaria nua em plena praça da República?
Iria num terreiro de umbanda e beberia marafo com um Exu qualquer?
Deixaria uma mancha de batom em seu colarinho a guisa de sabotagem?
Tentaria suicídio?
Um pacto eterno com o demo?
Prepararia um jantar com iguarias da cozinha rancesa?
Daria em cima dele numa festa?
Pediria ajuda aos amigos?
Entrava num curso de filosofia?
Ia tentar o equilíbrio através da ioga?
E você que faria? Então, me diga?
Não faria nada? E como conviver com uma paixão não realizada batendo no peito?
Se o que fiz foi certo ou errado, dane-se!
O beijo foi dado. O ato consumado. Foda-se!
Apenas fiz o que faria uma mulher apaixonada.
domingo, 25 de julho de 2010
A ESTRADA
"Eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida... expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não vivi".
WALT WHITMAN
Eu não podia mais voltar.
Não havia mais uma estrada a percorrer atrás de mim; mas como seguir em frente?
Poderia até ir além, ou aquém; mas como seguir assim desse jeito?
Mais vazio, menor em meus sonhos, talvez com pouca esperança e com muita, muita dor, como ir adiante?
Dia após dia, mês após mês trabalhadores construíram esta rodovia. Desmataram o terreno, aplainaram, reviraram a terra, asfaltaram a estrada deixando-a lisa e apta para o percurso.
E agora que ela se encontra em nossa frente, finalizada e pronta, o que fazer? Ir em frente!
Continuar a viagem e saber o momento certo para pausar a jornada, esperar os trabalhadores voltarem e façam de novo o seu trabalho de construção. E depois que tudo estiver pronto novamente, cair na estrada! LET GO, GIVE IN and KEEP THE JOURNEY!
A jornada é longa, e sempre em frente.
O que aconteceu, aconteceu e aconteceria de qualquer jeito e não se fala mais nisso!
Sempre em frente esta é a opção que a longa estrada em nossa frente nos oferece. As coisas acontecem porque tem que acontecer e não porque queremos que elas aconteçam.
Agora aqui eu paro.
Não vou olhar para trás. A estrada de ontem não mais existe. Por isso não posso voltar. Não agora, não neste momento.
A nova estrada que se abre a minha frente é árdua, escura, solitária...
Ninguém me disse que seria fácil, por isso caminhar sempre caminhar.
WALT WHITMAN
Eu não podia mais voltar.
Não havia mais uma estrada a percorrer atrás de mim; mas como seguir em frente?
Poderia até ir além, ou aquém; mas como seguir assim desse jeito?
Mais vazio, menor em meus sonhos, talvez com pouca esperança e com muita, muita dor, como ir adiante?
Dia após dia, mês após mês trabalhadores construíram esta rodovia. Desmataram o terreno, aplainaram, reviraram a terra, asfaltaram a estrada deixando-a lisa e apta para o percurso.
E agora que ela se encontra em nossa frente, finalizada e pronta, o que fazer? Ir em frente!
Continuar a viagem e saber o momento certo para pausar a jornada, esperar os trabalhadores voltarem e façam de novo o seu trabalho de construção. E depois que tudo estiver pronto novamente, cair na estrada! LET GO, GIVE IN and KEEP THE JOURNEY!
A jornada é longa, e sempre em frente.
O que aconteceu, aconteceu e aconteceria de qualquer jeito e não se fala mais nisso!
Sempre em frente esta é a opção que a longa estrada em nossa frente nos oferece. As coisas acontecem porque tem que acontecer e não porque queremos que elas aconteçam.
Agora aqui eu paro.
Não vou olhar para trás. A estrada de ontem não mais existe. Por isso não posso voltar. Não agora, não neste momento.
A nova estrada que se abre a minha frente é árdua, escura, solitária...
Ninguém me disse que seria fácil, por isso caminhar sempre caminhar.
sábado, 10 de julho de 2010
E SE EU MORRER?
E SE EU MORRER?
E se eu morrer?
E se eu anoitecer e não amanhecer?
Quem por mim vai sofrer?
Quem louca em prantos
vai se jogar sobre o meu túmulo e dizer:
“Eu te queria tanto!”
Quem dentre minhas amigas
chegará mal amada e desiludida da vida
e dirá que comigo foi sua alegria?
Quem? Quem, meu Deus, quem?
Quem dos meus companheiros
chegará bêbado e desatinado
e discursará em altos brados?
Qual dos meus parentes estará ausente?
Meu Deus, e se eu morrer manhã?
Quem colocará em meu túmulo
uma rosa cor de maçã?
Quem esquecido, tristonho e afobado
chegará atrasado?
Quem durante o cortejo final dirá:
“Era um bom sujeito, nunca fez o mal?”
Qual criança chorará pra ir embora?
Quem cometerá um fora?
Quem ficará na fossa?
Qual das minhas namoradas
entrará enlutada
e chorará calada?
Quem dentre minhas amadas
abraçará minha mãe e dirá:
“Como eu o amava!”
Quem dentre os meus amigos mais íntimos
quererá estar comigo no caixão?
Quem vai pagar o meu enterro?
Quem vai rasgar suas roupas no meu funeral?
Quem enviará uma coroa de flores?
Quais de meus amigos fará questão
de segurar à alça do meu caixão
nessa minha última caminhada por esse mundo cão?
Quem ficará afastada, quieta
chorando calada
Segurando em suas mãos uma rosa desfigurada?
Quem dentre tantos
diria sem abalo:
“Já foi tarde!”
Quem chegaria depois de tudo ter acabado
e se despediria sem ser atrapalhado?
Quem diria uma última prece?
Quem se despediria em forma de poesia?
Quem se mataria em meio a soluços?
Ah! Meu Deus!
E se eu morrer sem fazer minha última poesia?
E se eu me for sem um beijo roubado?
E se eu partir sem deixar alegrias?
E se eu ficar em coma e vegetar até o fim de meus dias?
E se eu partir sem uma amada?
Meu Deus!
E se eu morrer agora?
OUTUBRO, 1985.
E se eu morrer?
E se eu anoitecer e não amanhecer?
Quem por mim vai sofrer?
Quem louca em prantos
vai se jogar sobre o meu túmulo e dizer:
“Eu te queria tanto!”
Quem dentre minhas amigas
chegará mal amada e desiludida da vida
e dirá que comigo foi sua alegria?
Quem? Quem, meu Deus, quem?
Quem dos meus companheiros
chegará bêbado e desatinado
e discursará em altos brados?
Qual dos meus parentes estará ausente?
Meu Deus, e se eu morrer manhã?
Quem colocará em meu túmulo
uma rosa cor de maçã?
Quem esquecido, tristonho e afobado
chegará atrasado?
Quem durante o cortejo final dirá:
“Era um bom sujeito, nunca fez o mal?”
Qual criança chorará pra ir embora?
Quem cometerá um fora?
Quem ficará na fossa?
Qual das minhas namoradas
entrará enlutada
e chorará calada?
Quem dentre minhas amadas
abraçará minha mãe e dirá:
“Como eu o amava!”
Quem dentre os meus amigos mais íntimos
quererá estar comigo no caixão?
Quem vai pagar o meu enterro?
Quem vai rasgar suas roupas no meu funeral?
Quem enviará uma coroa de flores?
Quais de meus amigos fará questão
de segurar à alça do meu caixão
nessa minha última caminhada por esse mundo cão?
Quem ficará afastada, quieta
chorando calada
Segurando em suas mãos uma rosa desfigurada?
Quem dentre tantos
diria sem abalo:
“Já foi tarde!”
Quem chegaria depois de tudo ter acabado
e se despediria sem ser atrapalhado?
Quem diria uma última prece?
Quem se despediria em forma de poesia?
Quem se mataria em meio a soluços?
Ah! Meu Deus!
E se eu morrer sem fazer minha última poesia?
E se eu me for sem um beijo roubado?
E se eu partir sem deixar alegrias?
E se eu ficar em coma e vegetar até o fim de meus dias?
E se eu partir sem uma amada?
Meu Deus!
E se eu morrer agora?
OUTUBRO, 1985.
domingo, 4 de julho de 2010
CRÔNICA DE UMA CIDADE
CRÔNICA DE UMA CIDADE
Como chocolates Sufflair. Entupo-me de amendoins e uso raízes revigorantes para nutir a vontade e a esperança: ginseng, gengibre, catuaba, jasmin...
A paixão é uma sensação estranha – ex-tranha. Vem de fora e nos consome pelas entranhas, pelos intestinos. Mexe com as vísceras, o intelecto, a razão, o juízo e o sexo. Faz com que você navegue outros mares, subir pra outros andares, te faz conhecer mil lugares, faz tatuagens na sua alma.
É um quasar pulsante, uma lua em escorpião, uma Andrômeda cadente, um risco, uma imprecisão, um envio de cartões pelo correio. Algo que se intromete em sua vida sem pedir quando ou permissão.
A paixão te pega de calças curtas, pequeno, indefeso, agnóstico, ateu. Faz com que aconteçam adultérios, mil loucuras, encontros às escuras, traições... É uma sede insaciável, um ponto de luz inacessível e inesgotável.
É atemporal e nem tem data pra acabar. É matemática, equacional e se mostra esplendida e inteira num carro qualquer com os vidros embaçados na escuridão de uma avenida da cidade.
Como chocolates Sufflair. Entupo-me de amendoins e uso raízes revigorantes para nutir a vontade e a esperança: ginseng, gengibre, catuaba, jasmin...
A paixão é uma sensação estranha – ex-tranha. Vem de fora e nos consome pelas entranhas, pelos intestinos. Mexe com as vísceras, o intelecto, a razão, o juízo e o sexo. Faz com que você navegue outros mares, subir pra outros andares, te faz conhecer mil lugares, faz tatuagens na sua alma.
É um quasar pulsante, uma lua em escorpião, uma Andrômeda cadente, um risco, uma imprecisão, um envio de cartões pelo correio. Algo que se intromete em sua vida sem pedir quando ou permissão.
A paixão te pega de calças curtas, pequeno, indefeso, agnóstico, ateu. Faz com que aconteçam adultérios, mil loucuras, encontros às escuras, traições... É uma sede insaciável, um ponto de luz inacessível e inesgotável.
É atemporal e nem tem data pra acabar. É matemática, equacional e se mostra esplendida e inteira num carro qualquer com os vidros embaçados na escuridão de uma avenida da cidade.
sábado, 19 de junho de 2010
FUI A MISSA
FUI A MISSA
Eu precisei de Deus. Ele me foi dado, e eu o recebi sem compreender direito o que estava procurando. Então, porque meu coração não deixou que ele lançasse ali suas raízes, Deus terminou morrendo em mim.
Hoje quando o mencionam, eu digo, como se fosse um velho, tentando reviver uma velha chama: há 50 anos atrás, se não houvesse um mal-entendido, se não houvesse certos equívocos, se não houvesse o acidente que terminou nos separando, nós dois teríamos um belo caso de amor.
JEAN-PAUL SARTRE in As Palavras.
Hoje eu fui à missa.
Rompi com a religião católica tempos atrás. Execro seus padres midiáticos e seus jingles que somente exortam o louvor. Essa igreja arcaica e medieval com os seus dogmas, ritos e preconceitos. Quando fiz a minha graduação em Letras, tive um professor padre (fiz Letras numa faculdade católica) que definia assim a Igreja Católica: “A Igreja Católica é um verme que num fria manhã de inverno, acordou, se espreguiçou e, vendo que estava muito frio, voltou a dormir.” Não me esqueço disso até hoje, e ele era padre.
Acredito em Deus, acho que quando não há mais uma explicação pela lógica a um fato ou acontecimento o que se pode dizer? É Deus!
E hoje, de minha livre e espontânea vontade, fui à igreja. Assisti à missa direitinho e me fez um bem fazer isso. Gostei das leituras, do sermão feito pelo padre, já idoso e que rezava a missa de olhos fechados.
Este reencontro me fez bem. A fé se manifesta nestes momentos em que desarmados e de coração aberto vamos ao encontro de Deus, da palavra sagrada; e a necessidade de se fazer isso vem do inexplicável. Qual seria a vontade que me fez numa fria manhã de domingo levantar-me cedo e ir assistir uma missa às oito e meia da manhã? Veio muito menos pela obrigação, pois há tempos não freqüentava a igreja, do escambo (se você for à missa ganhará o reino dos céus) ou pela imposição que é como as religiões entram na vida das pessoas.
Ter ido a missa foi pela minha própria vontade, da vontade de estar em paz, de fazer o bem a si mesmo e aos outros, de acreditar e agradecer as graças recebidas. Acho que é mais ou menos por aí que as coisas devem ser feitas.
E hoje durante a missa voltei aos meus dez, doze anos de idade quando eu estudava no colégio Salesiano Santa Rosa em Niterói. Era um colégio católico (como há de se notar, educação e catolicismo sempre estiveram juntos em minha vida) e, uma vez por ano tínhamos a missa da nossa turma.
Era um dia especial, pois podíamos ir sem uniforme (sou do tempo em que se você não fosse de uniforme completo à escola você voltava pra casa do portão!), o grupo estava unido, fazíamos brincadeiras tirando um pouco da seriedade dos ritos católicos. A missa era realizada na capela interna do colégio e era bom, muito bom. Hoje me relembrando disso vejo que Deus ali, naquele momento, estava se manifestando; fiquem alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres¹.
E hoje fui à missa. Fiz as pazes com a igreja católica, com Deus, comigo mesmo, voltei a ser aquele garotinho que ia, sem uniforme, às missas na capela interna de um colégio católico em Niterói.
Amém.
______________________
1. Filipenses 4.4.
Eu precisei de Deus. Ele me foi dado, e eu o recebi sem compreender direito o que estava procurando. Então, porque meu coração não deixou que ele lançasse ali suas raízes, Deus terminou morrendo em mim.
Hoje quando o mencionam, eu digo, como se fosse um velho, tentando reviver uma velha chama: há 50 anos atrás, se não houvesse um mal-entendido, se não houvesse certos equívocos, se não houvesse o acidente que terminou nos separando, nós dois teríamos um belo caso de amor.
JEAN-PAUL SARTRE in As Palavras.
Hoje eu fui à missa.
Rompi com a religião católica tempos atrás. Execro seus padres midiáticos e seus jingles que somente exortam o louvor. Essa igreja arcaica e medieval com os seus dogmas, ritos e preconceitos. Quando fiz a minha graduação em Letras, tive um professor padre (fiz Letras numa faculdade católica) que definia assim a Igreja Católica: “A Igreja Católica é um verme que num fria manhã de inverno, acordou, se espreguiçou e, vendo que estava muito frio, voltou a dormir.” Não me esqueço disso até hoje, e ele era padre.
Acredito em Deus, acho que quando não há mais uma explicação pela lógica a um fato ou acontecimento o que se pode dizer? É Deus!
E hoje, de minha livre e espontânea vontade, fui à igreja. Assisti à missa direitinho e me fez um bem fazer isso. Gostei das leituras, do sermão feito pelo padre, já idoso e que rezava a missa de olhos fechados.
Este reencontro me fez bem. A fé se manifesta nestes momentos em que desarmados e de coração aberto vamos ao encontro de Deus, da palavra sagrada; e a necessidade de se fazer isso vem do inexplicável. Qual seria a vontade que me fez numa fria manhã de domingo levantar-me cedo e ir assistir uma missa às oito e meia da manhã? Veio muito menos pela obrigação, pois há tempos não freqüentava a igreja, do escambo (se você for à missa ganhará o reino dos céus) ou pela imposição que é como as religiões entram na vida das pessoas.
Ter ido a missa foi pela minha própria vontade, da vontade de estar em paz, de fazer o bem a si mesmo e aos outros, de acreditar e agradecer as graças recebidas. Acho que é mais ou menos por aí que as coisas devem ser feitas.
E hoje durante a missa voltei aos meus dez, doze anos de idade quando eu estudava no colégio Salesiano Santa Rosa em Niterói. Era um colégio católico (como há de se notar, educação e catolicismo sempre estiveram juntos em minha vida) e, uma vez por ano tínhamos a missa da nossa turma.
Era um dia especial, pois podíamos ir sem uniforme (sou do tempo em que se você não fosse de uniforme completo à escola você voltava pra casa do portão!), o grupo estava unido, fazíamos brincadeiras tirando um pouco da seriedade dos ritos católicos. A missa era realizada na capela interna do colégio e era bom, muito bom. Hoje me relembrando disso vejo que Deus ali, naquele momento, estava se manifestando; fiquem alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres¹.
E hoje fui à missa. Fiz as pazes com a igreja católica, com Deus, comigo mesmo, voltei a ser aquele garotinho que ia, sem uniforme, às missas na capela interna de um colégio católico em Niterói.
Amém.
______________________
1. Filipenses 4.4.
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